Devo ser..

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Aracaju, Sergipe, Brazil
Uma jovem e observadora Jornalista a descobrir os próprios caminhos. Amante dos mais simples detalhes e singelezas da vida, das artes e dos amores, em busca de evolução pessoal.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Dolente

É. Há dias em que a dor é tão grande dentro do peito que a gente repete infinitas vezes a mesma música, simplesmente porque a dor dói um pouco menos quando embalada por aquela melodia calma, tranqüilizante e que, de certa forma, mantém a causa da dor ali, pertinho de você.. Mas de uma forma que te conforta um pouco. Esses acordes te lembram momentos que você não quer esquecer, porque tem que haver algo bom dentro de você que amenize tudo de ruim que está sentindo.

Sim, porque na vida acomoda-se até uma dor latente e que arde na alma. Aliás, acomoda-se tudo: passados, traumas, dores, felicidades, comportamentos viciados, sorrisos, lembranças.. e o difícil mesmo é ter sabedoria para decidir o que devemos acomodar ou não.

Há dias em que, mesmo o tempo passando, você não consegue fazer passar um pensamento que, ainda que doloroso, te mantém próximo a algo do qual você não quer se separar. Tudo bem se isso te provoca mal estar, dor de estômago ou amargor na boca.. Está bem se aquilo te causa uma revolta imensa e até te leva a verter sofridas lágrimas. É o preço que se paga por não conseguir ou querer deixar o pensamento ir-se embora.

Em alguns momentos, inclusive, um rompante de otimismo te arrebata e um friozinho percorre o peito, em direção ao estômago, e até consegue te arrancar um suspiro aliviado, em meio a um discreto sorriso.. Mas isso não dura muito porque a dor é tamanha que logo reaparece, reinante, para te lembrar que, sim.. parece que tudo está perdido. Não há motivos para otimismo. Nada está em suas mãos, além da escolha de deixar ou não o tal pensamento evadir.

Há dias em que a gente se pergunta por que as pessoas agem como agem e por que o ser humano insiste em escolher caminhos tortuosos na vida, que lhe dificultam e bloqueiam a evolução pessoal. A gente questiona até o Plano Sublime sobre por que razão precisa estar no meio da confusão alheia e como é que pode, mesmo a gente adotando tantos atos positivos e cheios de amor e de carinho, ainda receber em troca tanta dor e sofrimento.. E porque não encontramos subterfúgio capaz de saná-las..

Nesses dias, a única coisa que se consegue é ficar ali encolhidinha no canto.. Só o que se pode fazer é tentar aninhar a tal da dor no peito - com música ou sem música, com otimismo ou sem - só pra ver se ela agora machuca de uma forma diferente, quem sabe até um pouquinho menos dolente...